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Ainda navego por mares...

Terça-feira, 25.04.17

Ainda navego por mares que me sugam as forças...

 

Nasci nas águas de um regato

e vim pelos mares colhendo as lágrimas

dos pequeninos seres

que indefesos entre os pedregulhos

sentiam no peito o soluçar de ondas

que de longe chegavam

como se atadas ao ventre materno

após o embate com rochedos  

que bloqueavam seu renascer...

 

 

 

Ainda navego por mares 

e desbravo as vagas de chegar tardio

procurando desvendar o marejar dissonante

das ondas que se desfazem 

para aportar os males da humanidade

que teimam em afastar os cais

fragilizando vontades

inutilizando gestos protetores

que no despertar de um sentimento atávico

perpetua a inutilidade dentro de mim...

 

 

{05B3612F-23D6-431F-904E-410B64BA243B}_VitorBraga_

 

E os olhares que se juntam 

em atadas alianças

chegam adornados de lembranças

traduzidas nos versos de um poema...

E quando os veios das nascentes

percorrem livres o choro do renascer

nos olhos da esperança

toda a beleza do mundo é recriada

no tilintar de um sino que faz descer

abençoadas lágrimas na fronte de uma criança...

 

 

 

1. "Navegar" pintura de Bruno Netto

2. "Renascer" Bruno Netto

2. "Batismo" obra de Ado Malagoli

 

 

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de helena às 11:54

O canto da vida

Segunda-feira, 17.04.17

O vento afastou as cortinas e espalhou pelo quarto

pequeninas flores 

e um delicado aroma de lavanda...

E no peitoril da janela pousou um rouxinol

de tão suaves cores

que me enfeitiçou de amores

na doçura do seu canto...

E assim perfumada

envolta nos raios de sol que dançavam imagens

nas dobras do lençol

cabelos enfeitados nas estrelas

espalhadas na janela no despedir da aurora

pés calçados nas sandálias de sonhos perolados

dedos anelados no canto do rouxinol

 fui para o jardim voltear com as borboletas

que polinizando as flores

desabrochavam de amores

no olhar alongado de ternura de um enamorado girassol...

Volto para casa e coloco no altar da memória o pedacinho de esperança florescido em mim no voejar dos pássaros, nas asas das borboletas e no cantar da brisa que tecia delicados ramalhetes perfumados de jasmim.

E só então reparo que nas minhas vestes se prendera

uma clave de sol

do gorjeio do rouxinol

o murmúrio da brisa entre as flores

e os minúsculos suspiros que docemente brotavam do jardim...

E assim munida com os sons da natureza

vestida de esperança

perfumada de lavanda

saio pelas horas do meu dia

a compor numa doce sinfonia

o cantar da vida dentro de mim...

 

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de helena às 14:15

O pássaro e eu

Domingo, 02.04.17

E o vento passando

embaraça meus cabelos

enovela minhas vestes

e rodopia em volta de mim

como se me convidasse a bailar...

Mas como não sei dançar a música do vento

sinto os pés quedarem por um momento

como asas de um pássaro indeciso

sem saber que rumo tomar...

E assim, pairando livre, sinto-me presa num sonho que se prendeu nas asas de um pintassilgo que me olha como se senhor do meu destino ele fosse e estivesse a avaliar se mereço ou não o seu canto, se me sustém no ar mostrando o rumo a seguir ou se quebra a magia e me deixa cair ao chão. E presa neste momento de fascínio aguardo que o canto ou o silêncio de um pássaro decida meu destino.

O pintassilgo a me olhar

de olhar atento e eu,

a olhá-lo de olhar angustiado

sem conseguir definir

o que quer de mim ...

Até que num repente ele se põe a cantar e o seu festivo trinado faz desatar as teias que me sustém a pouco mais do chão. E de tramas desatadas sinto o pintassilgo me prender em suas asas de cetim, alçar voo, e me levar com ele a palmear o infinito azul...

Somos só nós dois,

eu e o pintassilgo!

O seu voo e o meu sonho

a criar asas na vastidão de mim!

 1 . Windswept (John William Waterhouse)

 

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de helena às 22:26

Uma saudade que traz lembranças...

Quinta-feira, 30.03.17

Ainda que eu quisesse não poderia eternizar o tempo no alvorecer que escorre benesses por entre os dedos dos deuses que colocam o universo em movimento, tal a fugacidade dos pensamentos que meus dedos ágeis não conseguem prender.

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Houve um tempo em que o vento ondulava os passos rendilhando a noite e enfeitiçando nossas palavras no sopro apaixonado dos deuses notívagos. O sol despontava num horizonte ainda coberto com a bruma da madrugada, que sonolenta se espreguiçava para além dos montes.

E nossas palavras entremeavam douradas promessas que o vento enlaçava nas ondas do mar, para reluzir nos cabelos dourados das sereias que famintas de carinho lançavam ternurentos olhares para os deuses que de longe as espiavam, tímidos e temerosos da sua sedução.

E ficávamos os dois a fitar aquele horizonte

onde nosso olhar repousava manso

no encontro da vermelhidão do céu

com a serenidade do mar...

Hoje as ondas passam ao longe! 

Sabem que não mais existem as palavras que enfeitariam o despertar do sol no horizonte, levadas que foram pelo vento desejoso de agradar deuses e sereias nos roubando os preciosos acordes que solfejavam as canções do nosso existir. 

Mas mesmo assim o vento vem repousar na minha memória

tentando recriar uma nova madrugada no imenso amor

que dentro de mim ainda germina saudades de ti...

 

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de helena às 13:05

Só hoje...

Quarta-feira, 29.03.17

Hoje, trocaríamos alianças, renovaríamos os votos,

receberíamos novas bênçãos,

e selaríamos nosso amor ao som da Ave-Maria de Gounod...

 

Mas não conseguiste esperar que o nosso ciclo de 8 anos se fechasse, e partiste para atender um chamado maior...

E foram tantas as vezes que eu te prometi não chorar, não sofrer, não soluçar de dor...

 

Mas hoje, meu anjo lindo, só hoje, quero expurgar todas as lágrimas, expulsar todos os lamentos por não estares aqui a comemorar aquele dia em que bordamos ternura no nosso olhar transparente de amor, e entrelaçamos em nossas mãos aqueles sonhos divisados no horizonte de nossas almas...

E vivemos estes anos todos a compor uma suave melodia onde nossas vozes suspiravam poesia em acordes tão fáceis de tocar... Oito anos em que a vida tanto nos sorriu e tão poucas vezes nos fez chorar...

Só hoje, meu doce amor, não me impeça de deixar cair algumas lágrimas das muitas que ainda estão a arder nos meus olhos, e não se entristeça com os soluços que ainda habitam o meu coração...

Porque amanhã, eu prometo que ao levantar

vou procurar entre as flores do nosso jardim

um dos sorrisos que ficaram espalhados

quando passeávamos de mãos dadas

num tempo que tão longe vai...

Vou colocá-lo no meu rosto

e sair pela vida a cantar alegrias

até que um dia elas venham de verdade

a minha alma habitar... 

 

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de helena às 03:27

Em algum lugar...

Sexta-feira, 24.03.17

Existe um lugar arquitetado pelas mãos dos deuses notívagos

onde foram escondidos os segredos dos amores indesvendados...

 

 

Lá onde as palmeiras revoam

projetos inalcançados

que os deuses saturados de impaciência

fizeram em escombros

dilapidando os mais recônditos esboços

traçados nas pilastras do tempo...

 

 

 

E no correr da brisa que desflora os segredos

das paisagens embrumadas de atalhos

seguem também os suspiros, murmúrios e lamentos

dos lírios que fenecem no cair da tarde...

E os mensageiros dos deuses que se enfeitam com as lágrimas enluvadas em florescentes arabescos, retornam calados à morada do vento... Lugar que os deuses que tecem a escuridão da noite escolheram para esconder os segredos que nunca serão revelados...

 

"Vento" pintura de Mário Fresco

 

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de helena às 01:05

Cultivando sonhos...

Sexta-feira, 17.03.17

É por cultivar um sonho... 

 

Que desperto nas manhãs tecidas no orvalho de uma grama que se enraizou na aurora que buscava no horizonte das nossas vigílias pequeninas flores para enfeitar o leito onde adormecemos nossos sonhares.

É por cultivar um sonho, que encontro tardes perfumadas com as flores que pintaste pelas calçadas da vida, espalhando no meu caminhar o colorido de uma Primavera refugiada nas colinas, onde os querubins brincavam com asas de encantar borboletas.
É por cultivar um sonho, que me debruço na noite nascida na miríade de estrelas que salpicaste no meu olhar, para que meus pés se dourassem ao flutuar no retorno para o aconchego de minha alma.

E é só por causa de um sonho que ainda bordo manhãs,
tecendo nas tardes o rendilhar das noites
como no início de tudo aquilo
que meu olhar teceu nas lembranças,
quando ainda alcançava o horizonte
e divisava um rouxinol a cantar...

 

"Colhendo sonhos! - Pintura de Vicente Romero

 

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de helena às 11:30

***

Quarta-feira, 08.03.17

E quando o silêncio se faz necessário...

 

 

 

 

A música preenche o vazio!

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de helena às 11:53

Tu estarás sempre comigo...

Sexta-feira, 03.03.17

Tu estás comigo, quando meus olhos vagueiam pelas planícies desfolhando os alvoreceres que os deuses diluiram nos meus sonhos nas noites em que cansada de chorar andei a vagar por entre os vãos das montanhas, sem me lembrar de despir as vestes que me cobriam a nudez do existir.

Tu estás comigo, quando meus pés pousam de manso nas pétalas vermelhas que desprotegidas flores deixaram ser levadas pelo vento que no momento carregava os pecados que seriam expurgados numa eternidade encravada nas pedras que choravam os suspiros dos amantes que distantes ainda se protegiam.

Tu estás comigo, quando a minha alma se banha na nascente do arco-íris, buscando no rebrilhar das cores os versos coloridos que se perderam no entremeio dos raios de um sol que teimava em desvendar os segredos guardados nas redes onde descansavam os querubins.

Estás sempre comigo, mesmo agora que não mais estás, porque a minha saudade vai te buscar e te prende no meu olhar alongado, onde um inaudível suspiro se equilibra para diluir as pequeninas lágrimas que ainda teimam em bordar lembranças na beirada do infinito...

 

Contemplação - pintura de Vicente Romero

 

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de helena às 00:39

Melodia inacabada...

Domingo, 19.02.17

Foi apenas um instante perdido no tempo...

 

 

A lembrança se entrelaçou nos meus dedos adormecidos de paz e começou a teclar naquele velho piano quebrantado no tempo, ainda com algum vestígio da poeira que os deuses não puderam eliminar num fagulhar de sopro.

A gotinha de saudade ficou ali saltitando de manso entre as teclas, sem nenhum vestígio de criação, como se encantada estivesse a compor alguma música perceptível apenas no solfejar da tarde, que atenta acompanhava pela janela cada som produzido e que aos poucos se desgarrava dos dedos para compor uma música tão singela, que somente ouvidos atentos ao desmaiar do entardecer poderiam magicamente atrair.

Mas eu nada escutei nem meus sentidos perceberam, envolvida que estava no mistério da memória que em delicados clarões adornava o meu olhar com momentos delineados no tempo.

 

 

 

 

Tão enlevada estava que nem prestei atenção 

na doçura que a tarde exalava 

no entremear das notas 

que a saudade fazia solfejar no tempo

recriando melodias que as minhas mãos

nem sabiam que estavam a tocar...

 

 

 

1. "The Woman in Red" tela de Giovanni Boldini

2. Pintura original Zhana viel

 

 

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de helena às 21:37

O infinito de ti...

Terça-feira, 14.02.17

E tantos foram os caminhos andados...

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Que em cada desvio percorrido

em cada curva superada

em cada obstáculo vencido

ia ficando um pouquinho de mim...

Fui me desfazendo de raízes

caules, folhas, tronco,

até que de árvore tombada

fui morrendo aos pouquinhos...

Desfazendo palavras

desatando enredos

desprendendo histórias

até nada mais sobrar

a não ser as diminutas raízes que renasciam entre os meus dedos fazendo surgir silenciosos brotos que se espalhavam por minhas mãos e projetavam no infinito de mim as mil notas de uma sonata debulhada em certezas.

E no centro de tudo estavas tu a enluvar-me as mãos com filamentos de seda para que eu espalhasse ao meu redor as sementes ungidas pelos deuses alados.

E renovados o tronco, os galhos, as folhas, flores e frutos,

sentei-me ao pé de mim,

viajante a descansar no seu sétimo dia,

para enfim descobrir que as novas raízes

haviam brotado do infinito de ti

dentro de mim...

 

1. tela "Renascer" do pintor espanhol José Royo

 

Obs. A partir de hoje pretendo responder aos comentários dos amigos que estão sempre a me honrar com suas visitas.

 

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de helena às 18:51

E vou pelo mundo...

Segunda-feira, 26.12.16

Chegou a hora de aterrar sementes no alargar dos passos

de dedilhar a canção da nova vida no cruzar dos mares

de rendilhar no horizonte um arco-íris

e desenhar uma estrela cadente no novo céu...

Ainda é madrugada e a paz se faz em mim no ajeitar de sorrisos numa diminuta valise e no sussurrar de pequenas estrelas que vão bordando pérolas ao vestir o quarto de palavras que não ouso mais alto proferir.

O dia não tarda e me apresso em alinhar na memória as lembranças mais felizes, descartando aquelas que desfizeram os sorrisos, desiluminaram as estrelas e os empoçaram em lágrimas dentro de mim.

Ainda resta um tempo até que o primeiro raio de sol se infiltre pela cortina do quarto, e nesse tempo vagueio pela casa como se percorresse um templo onde a quietude se instalou exigindo passos lentos e leves para não perturbar o sossego há séculos adquirido.

E o dia desperta, e o primeiro raio de sol se anuncia, e a hora de partir se faz...

De bagagem nova na mão, coração aquietado, abro a porta e respiro o ar puro que o dia está trazendo em suas entranhas. 

Olho para o céu e o vejo totalmente azul a refletir os raios de um Sol que se anuncia majestoso como a dizer que estará sempre me aquecendo mesmo que em terras gélidas ou inóspitas eu tenha que novamente pisar. 

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Fecho a porta, aterro a chave num canteiro de açucenas, enfeito o olhar de esperança...

E vou pelo mundo me encontrar!

 

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de helena às 13:15

NATAL DE AMOR E PAZ

Quinta-feira, 08.12.16

 * A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio
do nosso coração e aquece com ternura os corações daqueles que nos
acompanham em nossa caminhada pela vida *

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BLOG HELENA.jpg

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de helena às 00:45

QUANDO OS SONHOS COMEÇAM A FENECER...

Terça-feira, 06.12.16

 

 

 

 

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de helena às 14:05

Na visão de uma criança...

Quinta-feira, 01.12.16

***Esta história foi contada por uma menina na faixa de 4 anos que mora numa creche. A psicóloga espalhou diversas gravuras numa mesa (diferentes destas, mas com o mesmo teor), pedindo-lhe para inventar uma historinha. Depois de observar atentamente cada ilustração ela começou a narrativa ao mesmo tempo em que ia ordenando as imagens***

Deus fica chorando

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quando olha aqui pra Terra e fica vendo as maldades das pessoas...

 

 

 

 

Os homens maus matando os homens bons e machucando as crianças...

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Os homens ficam botando fogo no floresta, matando os animais, matando os passarinhos e matando os peixes.

(Olha para a psicóloga e fala: gosto muito dos bichinhos de Deus, bichinho de Deus é igual gente e Deus gosta de todo mundo) e segue com a narrativa...    

O pai fica batendo na mãe e o filho fica gritando, as pessoas ficam brigando na rua, o ladrão fica roubando as pessoas e a polícia fica atirando nos bandidos.

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(Faz esta observação: a minha mãe falou que a gente tem que correr da polícia porque eles não gostam de mendigos.)

E continua...

As pessoas podiam 

plantar um tantão de árvores...

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Os pais podiam mandar os filhos pra escola pra eles aprenderem a ler, escrever o nome e depois de crescer pra eles escreverem uma porção de livrinhos de historia para as crianças...

(Fica pensativa, e assim se expressa:  eu vou aprender a escrever bem depressa pra escrever uma carta pro Papai Noel pedindo pra ele me dar uma boneca no Natal, eu nunca tive uma boneca - com uma expressão triste, acrescenta: eu nunca ganhei nada no Natal, a mamãe falou que o Papai Noel só dá presente pra criança rica)

 

E continua...

As crianças gostam de abraçar as outras crianças.

(Olha novamente para a psicóloga e fala: eu gosto muito de abraçar as minhas amiguinhas lá da creche, mas também gosto de abraçar as vovós que ficam com a gente lá na creche, e também gosto de abraçar todas as titias que dão banho na gente, que fala pra gente comer tudinho, e deixa a gente brincar no parquinho. Eu gosto de abraçar todo mundo - e sorrindo continua...)

A gente tem que ajudar os amiguinhos, dar abraço neles, deixar eles brincar com o brinquedo da gente que é pro coração de Deus ficar alegre.

Os pais tem que levar os filhos pra passear nos parques e os filhos 

podem pegar as flores e dar pros pais. 

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Aí os pais vão ficar muito alegre com os filhinhos, e os filhinhos vão ficar morrendo de rir de tanta alegria...

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Ai todas as crianças do mundo vão ficar feliz...  

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Deus também ia ficar feliz quando olhasse pra Terra e visse todo mundo rindo... 

 

 

 

 

Ele ia pegar a Terra com a mão e ia ficar olhando os passarinhos levando raminhos de flores para enfeitar a Terra... E Deus ia ficar rindo muito e seu coração ia ficar muito feliz e Deus nunca mais ia chorar porque Deus tava feliz! 

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Quando deu por terminada a tarefa, a psicóloga perguntou se ela encontrasse com Deus o que pediria a Ele, e a sua resposta (textual) foi esta "se eu encontrar com Deus eu vou pedir pra Ele não deixar a mamãe abandonar os filhinhos na rua".

Encanta-me, e muito me emociona perceber que uma criança que há pouco tempo morava na rua possa ter uma visão de mundo tão estruturada. Sua narrativa nos traz uma preciosa lição de vida quando notamos a sua consciência sobre os males que afligem a humanidade e a maneira como resolveria estes problemas.

Vivi momentos de grande emoção enquanto procurava imagens para fazer as 'molduras', e também ao descrever a situação. Espero que também possam apreciar a delicadeza e sensibilidade com que a criança 'inventou' a sua história.  

 

Meus amigos, devido às numerosas atividades que permeiam esta época, vou fazer uma pausa até o Natal, quando então voltarei para a última mensagem do ano.

Até lá, que todos possam “decorar” o coração com as luzes mais brilhantes da árvore da vida e enfeitar a alma com as imagens dos presépios que nesta época nos emocionam o olhar***

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de helena às 00:00

Hás de me encontrar...

Quinta-feira, 24.11.16

Se quiseres saber de mim...

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Hás de me encontrar pelas madrugadas orvalhadas de suspiros, olhar perdido no horizonte enternecido de cores, olhando tristemente o caminho percorrido por passos entrelaçados de lembranças...

Hás de me encontrar no rastro das estrelas cadentes que muitas vezes iluminou a esperança e me fez crente na realização de tudo aquilo que eu me permitia sonhar... 

Hás de me encontrar também no soprar da brisa que vem mansa carregando as palavras que ficaram esquecidas pelas estradas, no desejo de um dia se transformarem  em versos...

Hás de me encontrar aqui,

esperando o vento soprar forte para afastar das veredas

os pedregulhos que me machucarão os pés...

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Mas se quiseres mesmo saber de mim

hás de me encontrar

no alto de uma montanha

a olhar o horizonte por onde o sol vai nascer,

na esperança de que possa ser iluminada

a parte da estrada

que ainda tão cheia de sombras

me desencoraja um novo caminhar...

 

 

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de helena às 17:23

Uma noite longa...

Quarta-feira, 16.11.16

É tarde dentro de uma noite onde as sombras se esgueiram

por entre as frestas de um minúsculo tempo

que se esconde no desvão de uma escada

onde o arco-íris desinventa cores 

numa arte tão sutil que a lembrança até pensa

que ali poderá se infiltrar...

 

E por um momento, um átimo de um tempo tão infinitamente longo, o arco-íris se mostra belo, tão belo que o olhar se enfeitiça num mosaico que se faz explodir em vivas cores deixando uma ardência nos olhos cansados de olhar para o rastro que um pincel criado no vento pintou num chão molhado onde a alma fica a escorregar sem conseguir um fragmento de fantasia que a possa proteger...

E tudo volta a doer!

 

"Sleeping woman" de Anuraag Fulay

 

 

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de helena às 09:30

Palavras intocadas...

Sábado, 12.11.16

Ainda tenho palavras intocadas dentro de mim...

 

Recolhi-as como fiapos entrelaçados nas mãos de deuses que as fizeram brotar no suspiro de um relógio que pulsava na noite que se aveludava nas sombras já fenecidas pelo tempo, tal uma flor escondida num livro qualquer esperando que alguém ao folhear suas páginas pudesse repousar o olhar nas suas pétalas  e descobrir o segredo de amor que um dia fez pegadas na relva macia...

E as palavras dentro de mim a suplicar

pela sombra de um luar que as cubra

para que possam renascer no desabrochar da aurora

criando versos menos dolorosos

em poemas de grandes sentires...

Tela de Richard Edward Miller

 

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de helena às 11:50

Meu anjo protetor...

Quinta-feira, 10.11.16

Adormeci atada no soluço que me cingiu

em asas de veludo e me levou 

pela mansidão do sono

dissipando dores e saudades...

 

E tu vieste qual anjo protetor

a derramar ternura nos meus olhos

margaridas sobre os meus cabelos

estrelas nas minhas mãos 

que ficaram a refletir no teto

as lembranças de um tempo

em que me acordavas

com palavras cultivadas em pérolas

que me seguiam pelo dia afora...

Despertei e estendi os braços que voltaram vazios de ti... No ar, um perfume de rosas!

Já na rua notei que no meu olhar se debruçara um minúsculo raio de sol que fazia reflexo nos pedregulhos que delicadamente se afastavam para que meus pés pudessem livres caminhar...

 

"Daphne" - Pintura de Frederic Leighton

 

 

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de helena às 00:08

Feliz Aniversário!

Terça-feira, 08.11.16

Hoje seria o teu dia!

Hoje é o teu dia... E será sempre naquele calendário

marcado em letras douradas dentro de mim!

 

Obrigada, amor meu, por ter vindo nesta manhã me erguer nos braços alçando um voo muito além da tua ausência, para que eu não me soterrasse naquele travo de tempo que me prendeu a voz e me paralisou os gestos no despertar deste dia em que seria o teu aniversário...

Obrigada, anjo meu, pela força que me veio de ti! Pela paz que me trouxeste num sonho tão bonito e que me fez divisar o horizonte que meus olhos vendados se recusavam a ver... Vem comigo, meu doce amor, e me ajuda a filtrar as recordações de outras datas como esta que hão de me seguir pelo dia afora...  

Hoje à noitinha, numa hora que era somente nossa, eu te prometo que irás receber nas asas dos anjos dourados a suavidade daquela música de que tanto gostavas, e que me pedias sempre para tocar naquelas tardes em que nos aconchegávamos ao piano para musicar sonhos, promessas e beijos... Hoje, em homenagem a ti, eu prometo deslizar as mãos novamente sobre as teclas do nosso piano (que se encontra fechado desde que partiste...) tão de manso, tão solitariamente, tão baixinho que somente tu hás de ouvir a doce melodia de que tanto gostavas... Será a minha homenagem a ti, minha forma de dizer: Feliz Aniversário, meu eterno Amor!

Só não posso te prometer não chorar... 

 

Tela de Childe Hassam
 
 
 

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de helena às 10:15

Quando me perco de mim...

Sábado, 05.11.16

Muitas vezes me perco de mim

e a ausência me deixa farta de infinito 

e exausta de céus e mares...

E me pergunto que veredas percorrer depois que as esquinas começaram a devorar as ruas que as formavam.  Muitas vezes o vazio ao invés de me machucar, pacifica-me, pois o olhar se perde nas camuflagens que as palavras arranhadas esconderam dentro de si, e assim me agasalho na voz que esconde um silêncio adoecido de mazelas...

As mãos se acomodam no regaço das nascentes e ficam a enxugar as lágrimas que os olhos bordaram no pastoreio dos gestos cansados de existirem. 

E saio a me procurar passeando nas asas da borboleta colorida que pelo quarto esvoaçou trancando a lembrança de um pesadelo nos ponteiros que lentamente moviam as horas de um relógio que não mais existia num tempo que não mais pulsava...

 

Tela de Fabiana Strauberg

 

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de helena às 13:30

Para sempre...

Terça-feira, 01.11.16

Hoje a saudade veio aninhar-se junto a mim

naquela rede que a tarde cobria num manto de paz

solfejando nas notas do piano as vestes da alegria

para entreter com uma melodia o nosso olhar extasiado de flores...

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E ficávamos nós dois ali, de mãos dadas, brincando de jogar olhares  que divagavam ternura num tempo tão longe passado, outras vezes com sorrisos alongados para os dias que ainda se escreviam num quadro de futuro tão distante que nem nosso olhar arcoirizado de certezas poderia alcançar...

Éramos dois apaixonados a passear pelas colinas alaranjadas de um pôr de sol tão reluzente que nos permitia divisar os deuses a pintar desejos em matizes que nenhum mortal poderia conceber.

Hoje meu olhar não consegue divisar os deuses a colorir o horizonte nem escutar o piano se vestindo de alegria nem sentir a tua mão a segurar delicadamente a minha... 

Fecho os olhos e te vejo a me acenar num mosaico de ternura a colorir os passos que teus pés teceram no rendilhado dos caminhos por ti percorridos.

Hoje, em que as lembranças se acentuaram no rastro da tua luz, estou te mandando de presente um punhado de pétalas de rosas brancas aninhadas nas asas daqueles anjos dourados que tu me apontavas dizendo que eram eles que me protegiam...

É a ti, meu doce amor, que hoje eles protegem! Tu, que o Pai quis aninhar novamente entre as Mãos que um dia te depositaram no mundo para iluminar os seres que de ti se acercavam...

São para ti as lembranças deste imenso amor que habitará para SEMPRE o meu coração doído de SAUDADE. 

 

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de helena às 00:03

No apagar das estrelas...

Quarta-feira, 26.10.16

Contigo se foi aquela parte onde a poesia solfejava

estrelas num canteiro de sorrisos...

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O espaço era banhado por um fragmento de saudade que vagueava impaciente esbarrando nas paredes outrora enfeitadas com as telas que pintávamos a quatro mãos em pincéis mergulhados na alegria de existir para além das paisagens que criávamos e recriávamos num mundo todo nosso... O olhar pousou no antigo relógio que marcava uma hora perdida no tempo, como um longo pincel que desenha raízes nas sombras... Lembranças chegavam e partiam cobrindo as feridas recém-abertas e abrindo outras que vinham manchar de vermelho a escuridão que se fazia no olhar... As recordações pesavam nos passos cansados de forçada caminhada, barrando a memória que corria ansiosa pelas dobras de um passado ali tão presente, deixando que o vazio me cingisse ao peito. Nem vi a noite chegar e pendurar nos meus olhos as lágrimas novas salgadas no tempo...

Virei-me em direção à saída e uma noite fria me alcançou com tanta intensidade que por momentos fiquei sem saber onde estava...

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A escuridão me envolveu devolvendo todos os tortuosos momentos que por instantes haviam se perdido entre as frestas de uma doída saudade alojada na memória como um espinho que se enraizou para marcar um tempo que parece não passar nunca...  

Deixei a última lágrima secar ao vento e aconcheguei

a saudade entre os braços que me cingiam o corpo

embalando-a no apagar das estrelas

que me seguiam os passos...

 

 

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de helena às 16:15

Relembrando...

Quinta-feira, 20.10.16

Há gente que fica na história

da história da gente...

 

 

E tu surges nas lacunas das palavras desalinhadas que salpicam sombras numa noite de chuva forte e inclemente que me chega na aspereza e na escuridão que me fazem vaguear no infinito de um quarto com um olhar perdido nas sombras que a noite vem projetar entre os vãos das cortinas...

E hoje, nesta noite de lembranças e dores a povoar a alma, num tempo alongado de tristeza, busco ouvir os pingos da chuva a marcar um compasso doído versejando num canto dolente a recriação da saudade...

 

 

 

 

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade...

 

1. Pintura impressionista "Noites de Chuva" de Leonid Afremov

2. No vídeo, uma das belas canções desse grande músico, intérprete e compositor português, Jorge Fernando*

 

 

 

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de helena às 23:12