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No apagar das estrelas...

Quarta-feira, 26.10.16

Contigo se foi aquela parte onde a poesia solfejava

estrelas num canteiro de sorrisos...

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O espaço era banhado por um fragmento de saudade que vagueava impaciente esbarrando nas paredes outrora enfeitadas com as telas que pintávamos a quatro mãos em pincéis mergulhados na alegria de existir para além das paisagens que criávamos e recriávamos num mundo todo nosso... O olhar pousou no antigo relógio que marcava uma hora perdida no tempo, como um longo pincel que desenha raízes nas sombras... Lembranças chegavam e partiam cobrindo as feridas recém-abertas e abrindo outras que vinham manchar de vermelho a escuridão que se fazia no olhar... As recordações pesavam nos passos cansados de forçada caminhada, barrando a memória que corria ansiosa pelas dobras de um passado ali tão presente, deixando que o vazio me cingisse ao peito. Nem vi a noite chegar e pendurar nos meus olhos as lágrimas novas salgadas no tempo...

Virei-me em direção à saída e uma noite fria me alcançou com tanta intensidade que por momentos fiquei sem saber onde estava...

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A escuridão me envolveu devolvendo todos os tortuosos momentos que por instantes haviam se perdido entre as frestas de uma doída saudade alojada na memória como um espinho que se enraizou para marcar um tempo que parece não passar nunca...  

Deixei a última lágrima secar ao vento e aconcheguei

a saudade entre os braços que me cingiam o corpo

embalando-a no apagar das estrelas

que me seguiam os passos...

 

 

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de helena às 16:15

Relembrando...

Quinta-feira, 20.10.16

Há gente que fica na história

da história da gente...

 

 

E tu surges nas lacunas das palavras desalinhadas que salpicam sombras numa noite de chuva forte e inclemente que me chega na aspereza e na escuridão que me fazem vaguear no infinito de um quarto com um olhar perdido nas sombras que a noite vem projetar entre os vãos das cortinas...

E hoje, nesta noite de lembranças e dores a povoar a alma, num tempo alongado de tristeza, busco ouvir os pingos da chuva a marcar um compasso doído versejando num canto dolente a recriação da saudade...

 

 

 

 

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade...

 

1. Pintura impressionista "Noites de Chuva" de Leonid Afremov

2. No vídeo, uma das belas canções desse grande músico, intérprete e compositor português, Jorge Fernando*

 

 

 

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de helena às 23:12