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Melodia inacabada...

Domingo, 19.02.17

Foi apenas um instante perdido no tempo...

 

 

A lembrança se entrelaçou nos meus dedos adormecidos de paz e começou a teclar naquele velho piano quebrantado no tempo, ainda com algum vestígio da poeira que os deuses não puderam eliminar num fagulhar de sopro.

A gotinha de saudade ficou ali saltitando de manso entre as teclas, sem nenhum vestígio de criação, como se encantada estivesse a compor alguma música perceptível apenas no solfejar da tarde, que atenta acompanhava pela janela cada som produzido e que aos poucos se desgarrava dos dedos para compor uma música tão singela, que somente ouvidos atentos ao desmaiar do entardecer poderiam magicamente atrair.

Mas eu nada escutei nem meus sentidos perceberam, envolvida que estava no mistério da memória que em delicados clarões adornava o meu olhar com momentos delineados no tempo.

 

 

 

 

Tão enlevada estava que nem prestei atenção 

na doçura que a tarde exalava 

no entremear das notas 

que a saudade fazia solfejar no tempo

recriando melodias que as minhas mãos

nem sabiam que estavam a tocar...

 

 

 

1. "The Woman in Red" tela de Giovanni Boldini

2. Pintura original Zhana viel

 

 

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de helena às 21:37

O infinito de ti...

Terça-feira, 14.02.17

E tantos foram os caminhos andados...

helenaBLOGmontagem.jpg

Que em cada desvio percorrido

em cada curva superada

em cada obstáculo vencido

ia ficando um pouquinho de mim...

Fui me desfazendo de raízes

caules, folhas, tronco,

até que de árvore tombada

fui morrendo aos pouquinhos...

Desfazendo palavras

desatando enredos

desprendendo histórias

até nada mais sobrar

a não ser as diminutas raízes que renasciam entre os meus dedos fazendo surgir silenciosos brotos que se espalhavam por minhas mãos e projetavam no infinito de mim as mil notas de uma sonata debulhada em certezas.

E no centro de tudo estavas tu a enluvar-me as mãos com filamentos de seda para que eu espalhasse ao meu redor as sementes ungidas pelos deuses alados.

E renovados o tronco, os galhos, as folhas, flores e frutos,

sentei-me ao pé de mim,

viajante a descansar no seu sétimo dia,

para enfim descobrir que as novas raízes

haviam brotado do infinito de ti

dentro de mim...

 

1. tela "Renascer" do pintor espanhol José Royo

 

Obs. A partir de hoje pretendo responder aos comentários dos amigos que estão sempre a me honrar com suas visitas.

 

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de helena às 18:51