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Ainda navego por mares...

Terça-feira, 25.04.17

Ainda navego por mares que me sugam as forças...

 

Nasci nas águas de um regato

e vim pelos mares colhendo as lágrimas

dos pequeninos seres

que indefesos entre os pedregulhos

sentiam no peito o soluçar de ondas

que de longe chegavam

como se atadas ao ventre materno

após o embate com rochedos  

que bloqueavam seu renascer...

 

 

 

Ainda navego por mares 

e desbravo as vagas de chegar tardio

procurando desvendar o marejar dissonante

das ondas que se desfazem 

para aportar os males da humanidade

que teimam em afastar os cais

fragilizando vontades

inutilizando gestos protetores

que no despertar de um sentimento atávico

perpetua a inutilidade dentro de mim...

 

 

{05B3612F-23D6-431F-904E-410B64BA243B}_VitorBraga_

 

E os olhares que se juntam 

em atadas alianças

chegam adornados de lembranças

traduzidas nos versos de um poema...

E quando os veios das nascentes

percorrem livres o choro do renascer

nos olhos da esperança

toda a beleza do mundo é recriada

no tilintar de um sino que faz descer

abençoadas lágrimas na fronte de uma criança...

 

 

 

1. "Navegar" pintura de Bruno Netto

2. "Renascer" Bruno Netto

2. "Batismo" obra de Ado Malagoli

 

 

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de helena às 11:54

O canto da vida

Segunda-feira, 17.04.17

O vento afastou as cortinas e espalhou pelo quarto

pequeninas flores 

e um delicado aroma de lavanda...

E no peitoril da janela pousou um rouxinol

de tão suaves cores

que me enfeitiçou de amores

na doçura do seu canto...

E assim perfumada

envolta nos raios de sol que dançavam imagens

nas dobras do lençol

cabelos enfeitados nas estrelas

espalhadas na janela no despedir da aurora

pés calçados nas sandálias de sonhos perolados

dedos anelados no canto do rouxinol

 fui para o jardim voltear com as borboletas

que polinizando as flores

desabrochavam de amores

no olhar alongado de ternura de um enamorado girassol...

Volto para casa e coloco no altar da memória o pedacinho de esperança florescido em mim no voejar dos pássaros, nas asas das borboletas e no cantar da brisa que tecia delicados ramalhetes perfumados de jasmim.

E só então reparo que nas minhas vestes se prendera

uma clave de sol

do gorjeio do rouxinol

o murmúrio da brisa entre as flores

e os minúsculos suspiros que docemente brotavam do jardim...

E assim munida com os sons da natureza

vestida de esperança

perfumada de lavanda

saio pelas horas do meu dia

a compor numa doce sinfonia

o cantar da vida dentro de mim...

 

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de helena às 14:15

O pássaro e eu

Domingo, 02.04.17

E o vento passando

embaraça meus cabelos

enovela minhas vestes

e rodopia em volta de mim

como se me convidasse a bailar...

Mas como não sei dançar a música do vento

sinto os pés quedarem por um momento

como asas de um pássaro indeciso

sem saber que rumo tomar...

E assim, pairando livre, sinto-me presa num sonho que se prendeu nas asas de um pintassilgo que me olha como se senhor do meu destino ele fosse e estivesse a avaliar se mereço ou não o seu canto, se me sustém no ar mostrando o rumo a seguir ou se quebra a magia e me deixa cair ao chão. E presa neste momento de fascínio aguardo que o canto ou o silêncio de um pássaro decida meu destino.

O pintassilgo a me olhar

de olhar atento e eu,

a olhá-lo de olhar angustiado

sem conseguir definir

o que quer de mim ...

Até que num repente ele se põe a cantar e o seu festivo trinado faz desatar as teias que me sustém a pouco mais do chão. E de tramas desatadas sinto o pintassilgo me prender em suas asas de cetim, alçar voo, e me levar com ele a palmear o infinito azul...

Somos só nós dois,

eu e o pintassilgo!

O seu voo e o meu sonho

a criar asas na vastidão de mim!

 1 . Windswept (John William Waterhouse)

 

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de helena às 22:26