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Ainda navego por mares...

Terça-feira, 25.04.17

Ainda navego por mares que me sugam as forças...

 

Nasci nas águas de um regato

e vim pelos mares colhendo as lágrimas

dos pequeninos seres

que indefesos entre os pedregulhos

sentiam no peito o soluçar de ondas

que de longe chegavam

como se atadas ao ventre materno

após o embate com rochedos  

que bloqueavam seu renascer...

 

 

 

Ainda navego por mares 

e desbravo as vagas de chegar tardio

procurando desvendar o marejar dissonante

das ondas que se desfazem 

para aportar os males da humanidade

que teimam em afastar os cais

fragilizando vontades

inutilizando gestos protetores

que no despertar de um sentimento atávico

perpetua a inutilidade dentro de mim...

 

 

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E os olhares que se juntam 

em atadas alianças

chegam adornados de lembranças

traduzidas nos versos de um poema...

E quando os veios das nascentes

percorrem livres o choro do renascer

nos olhos da esperança

toda a beleza do mundo é recriada

no tilintar de um sino que faz descer

abençoadas lágrimas na fronte de uma criança...

 

 

 

1. "Navegar" pintura de Bruno Netto

2. "Renascer" Bruno Netto

2. "Batismo" obra de Ado Malagoli

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

de helena às 11:54


39 comentários

De Agostinho a 27.04.2017 às 01:13

Olá, Helena
Muito grato pela assiduidade com que visita a minha janela.
Tenho andado alheado, ainda não acertei o ritmo após o problema de saúde que me afectou, daí a irregularidade com que edito e comento. Espero recuperar o tempo perdido a cada dia no tempo de "hoje" pois o passado passou e o futuro não existe (nunca).

Tanto mar
tanta lágrima de sal
a separar
junte-se-lhe
uma letra apenas a
que dá ao barco
cais para amar

Bj.

De a 27.04.2017 às 00:14

Boa noite querida e carinhosa amiga!
Cada vez que abrimos os olhos para a manhã, renascemos. É outra a alma que amanhece. Nunca somos os mesmos...cada dia, com suas experiências peculiares, nos modela, modula, esculpindo em nossas mentes e corações um ser que jamais se aprisiona em moldes estáticos...eis a beleza da vida.
Só por isso pode uma alma ter esperança no amanhã, mesmo passando por tempos difíceis, pois tal é a resiliência humana, que se recria como nova criatura após cada adormecer.
Teus poemas são sempre tão belos e autênticos, e nos trazem um pedacinho de ti, de teu coração simples e doce como o de uma criança. Desejamos que o som cristalino dos sinos do paraíso toquem muitas vezes para te embalar o sono, e entre perfumes de jasmins e lírios, os anjos te mandem sonhos bonitos em que descanses a alma para despertar cheia de fé e esperança num novo amanhecer.
Um grande beijo, e carinhoso abraço!
Bíndi e Ghost

De LuísM Castanheira a 26.04.2017 às 18:10

o sentido da vida
e o marejar
de tanto mar...

o despertar a um olhar
a onda que vai
a onda que vem...

o amor que se tem
num mundo de desdém...

e o cansaço
tanto, o cansaço
que asfixia
no indesejado abraço...

mas o sonho é isso:
o sorriso no rosto
duma criança.

a recompensa
a esperança
e a certeza
que um amanhã
fará diferença
pelo bater da poesia.

.....

minha querida Helena:
escreveu um poema sublime.
colhe poesia em qualquer lugar,
quando de coração aberto
estende o olhar.

Um beijo, Amiga (o poema acima, saído na hora, é seu, para si)




De chica a 26.04.2017 às 15:48

Leninha, aqui e lá no teu comentário, vejo a beleza, a sensibilidade de tua alma que sabe colocar tudo pra fora poeticamente. Muito lindo! A vida é mesmo assim: alternâncias, como as ondas do mar.... beijos,tudo de bom, fica bem,chica

De a 26.04.2017 às 08:33

A poesia é isto mesmo: a capacidade de transmitir o inefável...
Gostava de ter palavras para comentar este mar por onde naveguei , não só em vagas de esperança mas também na beleza incontestável de um mundo novo, por onde só os poetas podem caminhar (pelo menos por enquanto).
Helena, cada vez que aqui entro, surpreendo-me com a magnitude dos teus textos...
Simplesmente magnífico!

Beijinho...:)

De Cecília a 25.04.2017 às 16:53

Leninha, amiga querida, estive ausente desde a Páscoa para um merecido descanso, pois estou sem férias há um ano e já não aguentava mais de tanto cansaço. Aproveitei bastante e voltei no gás total, rss. Lá no orfanato se fala na dra Helena pra cá dra Helena pra lá, e a criançada adorou os brinquedos novos do parquinho, e ficou difícil chamar eles pra dentro de casa, alguns querem dormir com os calçados novos, não tiram do pé pra nada, rss. Uma alma iluminada como a sua é difícil de achar e somente a Virgem Santíssima poderá lhe dar a recompensa merecida.
Eu desisti mesmo do blog, pois vi que não levo jeito com estas gerigonças da internet, rss. Mas também não sei onde iria arranjar tempo para ficar aprendendo para depois fazer as postagens, e também não tenho muita paciência para estas coisas. Vou continuar visitando apenas o seu blog e aquele do amigo Tadeu.
Conversei até, e ia saindo sem comentar a sua poesia, aliás nem preciso comentar pois você sabe que adoro tudo que você escreve e esta postagem não foi diferente. Adorei as gravuras, principalmente aquela última, achei muito pura e significativa.
Um abraço minha querida e até qualquer hora,
Cecília

De Augusto a 25.04.2017 às 14:37

"A poesia não se entrega a quem a define.", segundo o grande Mario Quintana.
E este humilde mortal não se atreveria a definir, explicar ou até entender este texto de tão grande expressão poética. Fiquei apenas sentindo, e neste sentir eu pude até aquilatar aquilo que a sua alma poética está exprimindo num contexto mesclado com as suas vivências, minha menina linda! Você vive e escreve, você sente e escreve, e eu apenas aprecio aquilo que de maneira tão bonita pulsa no seu coração tão suave no compasso de uma batida.
Na espera do encontro fica o meu coração batendo acelerado...
Beijo as suas mãos com ternura, minha menina meiga, minha meiga menina.
Guto

De Érika a 25.04.2017 às 13:58

Helena, gostaria de escrever assim tão bonito como você escreve, mas não tenho o dom da poesia e por isso apenas sei apreciar. Uma mensagem que faz bem ao olhar pelas bonitas e coloridas imagens. Um texto que faz bem ao coração pela poesia que sai de cada palavra. Parabéns mais uma vez.
Um beijo da
Érika

De Longe a 25.04.2017 às 13:55

Ainda estou a navegar por mares...

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