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Melodia inacabada...

Domingo, 19.02.17

Foi apenas um instante perdido no tempo...

 

 

A lembrança se entrelaçou nos meus dedos adormecidos de paz e começou a teclar naquele velho piano quebrantado no tempo, ainda com algum vestígio da poeira que os deuses não puderam eliminar num fagulhar de sopro.

A gotinha de saudade ficou ali saltitando de manso entre as teclas, sem nenhum vestígio de criação, como se encantada estivesse a compor alguma música perceptível apenas no solfejar da tarde, que atenta acompanhava pela janela cada som produzido e que aos poucos se desgarrava dos dedos para compor uma música tão singela, que somente ouvidos atentos ao desmaiar do entardecer poderiam magicamente atrair.

Mas eu nada escutei nem meus sentidos perceberam, envolvida que estava no mistério da memória que em delicados clarões adornava o meu olhar com momentos delineados no tempo.

 

 

 

 

Tão enlevada estava que nem prestei atenção 

na doçura que a tarde exalava 

no entremear das notas 

que a saudade fazia solfejar no tempo

recriando melodias que as minhas mãos

nem sabiam que estavam a tocar...

 

 

 

1. "The Woman in Red" tela de Giovanni Boldini

2. Pintura original Zhana viel

 

 

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de helena às 21:37


41 comentários

De Smareis a 06.03.2017 às 22:44

Desculpa Amada, fiz meu comentário e esqueci de colocar meu nome. Achei que nem tinha entrado. Mais voltei e vi que apareceu.

Encostei meu coração nas tuas palavras e viagem por alguns segundos.Tem dias que uma pessoa só quer ficar em silêncio, quietinha em um canto sem pensar ... é como se nossa alma precisasse silenciar para poder entender o que se passa dentro e fora da gente .
Tão lindo, tão perfeito teu texto. Escrever de uma forma maravilhosa.
Obrigada pela leitura!
Boa semana
Um punhado de sorrisos!
Ótimo mês de março!

De a 06.03.2017 às 15:28

Encostei meu coração nas tuas palavras e viajei por alguns segundos.Tem dias que a gente só quer ficar em silêncio, quietinha em um canto pensando... é como se nossa alma precisasse silenciar para poder entender o que se passa dentro e fora da gente.
Tão lindo, tão perfeito teu texto. Escreve de uma forma maravilhosa.
Obrigada pela leitura!
Boa semana!
Um punhado de sorrisos!

De Emilia Pinto a 02.03.2017 às 18:21

A nossa vida é feita de instantes que, apesar de instantes, pequeninas fracções de tempo são todos diferentes e a cada um deles nós nos vamos tornando também diferentes, embora
não nos apercebamos. O nosso passado,também ele feito de instantes, não volta, mas creio que não o devemos esquecer, pois foi todo aquele tempo que fez de nós o que hoje somos. Faz-nos bem ir às prateleiras da memória e, no silêncio, pegar aqueles pacotinhos lá guardados e retirar com cuidado os presentinhos que a vida nos foi dando; é certo que alguns não nos agradaram e fizeram-nos chorar, ou de raiva ou simplesmente de tristeza, pois afinal não tinhamos pedido
nada daquilo, mas vieram e tivemos que aceitar conformados; há outros porém que chegaram lindos, envoltos em papel de seda brilhante e que nos deixaram tão felizes que não mais esqueceremos; temos prazer em abri-los com frequência e recordar aquele instante em que o recebemos, mesmo que uma lágrima
escorra pelo nosso rosto abaixo; não mais volta esse instante, mas com carinho voltamos a colocá-lo na prateleira para sempre o pegar quando a saudade chegar. A vida presenteia-nos todos os dias e continua a contrariar os nossos desejos e a dar-nos presentes de que não gostamos, mas será sempre assim e compete a nós arruma-lo a um canto e pedir à vida que nos dé um novo dia e com ele um presente mais encantador que deixe o nosso coração mais confortado; virá com certeza e a fita a envolvę-lo será de um lindo verde de esperança. E assim, Leninha, ficamos tantas vezes " enlevadas" olhando com carinho aquele lindo presente um dia recebido, presente que nos causou uma felicidade tremenda, mas que agora é só lembrança por vezes doida. Doi agora quando temos de o recolocar lá no fundinho, naquela prateleira onde guardamos as nossas preciosidades, mas, o que teria sido a nossa vida se não o tivessemos recebido? Foi muito bom! Todos nós temos recordações de momentos muito felizes que sabemos não mais voltarem, mas é bom que aprendamos a aceitar essa realidade; ficará mais fácil se pensarmos na importância que tiveram, na felicidade que nos propocionaram e no enriquecimento que deram aos nossos
dias. Eu digo isto, mas não por achar facil e muito menos por me achar forte e corajosa. Não, Leninha, não sou nada forte e " tremo " só de pensar que momentos piores virão com toda a certeza; ao dizer-te tudo isto estava também a dizer a mim mesma, a dar coragem ao meu coração que tem a mania de sofrer antes do tempo. É um " malandreco" este meu coração, sempre ansioso e preocupado; todos os dias a vida lhe dá presentinhos lindos, mas ele não lhes dá a devida importância e eu estou sempre a alertá-lo dizendo " ainda te vais arrepender muito!!!"
Leninha, gostei muito das tuas palavras em forma de desabafo e não me surpreendi, pois acho natural que assim te sintas ao recordar aquele maravilhoso presente que a vida te deu durante tanto tempo e depois o levou sem pedir licença; a vida é assim, muito mandona, mas tenho a certeza que mais presentes virão e um deles será a tua serenidade.Obrigada pela lição de vida, de força e de coragem que dás a todos os que contigo convivem. Para mim és um exemplo, amiga! Um abraço carregadinho de amizade
Emilia

De a 02.03.2017 às 13:23

Bom dia Helena.
Minha amiga hoje vim para lhe desejar um mês de muita paz. Que a saudade com o tempo lhe cause menas dor. Uma saudade justificável com certeza. So você e mas ninguém pode saber o que está passando. Só você pode saber qual será o momento de recomeçar. Adimiro a sua linda forma de ser e pela sua transparências. Feliz Março. Mirtes.

De CÉU a 02.03.2017 às 01:54

Em Portugal já é dia 02 de Março, mas aí, ainda é dia 01, dia em k se inicia "oficialmente" o ano (rs)! Não irei tecer considerações, acerca do assunto, pke cada povo tem seus costumes e suas tradições, seus defeitos e virtudes e o k está errado pra uns, pode estar certíssimo pra outros, mas evidente k eu tenho a minha opinião.

Leninha, o Carnaval, creio que já findou por aí (ou não?) e espero, de coração, k aquele que tu planeaste, tenha decorrido com mta alegria e em sã convivência. Era esse o teu objetivo e tenho certeza k foi conseguido.

Qto a D. Esterzinha, fiquei mto feliz por ela se recuperar com a expetativa da folia dessa época e tb do "enamoramento" de vô Tião por ela, e quem sabe, dela por ele, mas "homi" até ir desta pra melhor, tá sempre pronto e apto a ... (esqueci a ação, o verbo - rs), mas espero que dentro de nove meses, não te convidem pra madrinha (rs). Pois, já não dá, não, pke a flor já "murchou" um pouquinho e já não produz "água" suficiente pra fazer nascer botõezinhos lindos, mas teve seu tempo, sim e sei k a flor é bem feliz por tudo o k colocou no mundo.

Estás cansada, suponho, mas feliz, e isso compensa imenso e até se esquece aquela correria dos preparativos, das providências a tomar, enfim, do cuidado e amor que se põem nesses eventos, tão apaixonantes e compensadores.

D. Cidinha, tua "mamãe", não biológica, continua te facultando do bom e do melhor, em todos os aspetos, mas o afeto e a discrição são qualidades que acho que ela possui aos montões. É mão sempre pronta a agarrar a tua e a deixá-la, sempre k desejes ter teu espaço, teu tempo, logicamente tão teus.
Como ela já tem alguma idade, julgo, ela é sábia, te conhece mto bem, talvez como ninguém, e te diz coisas, em jeito de provérbios, donde extrais, preceitos e moralidades, que, infelizmente, mtos não praticam, nem ligam, mas deixa pra lá, pke o bom senso sempre vence, contudo, embora tu sejas boazinha, a melhor, a mais competente, na boca de quem contigo trabalha e priva, e és tudo isso, sim, mas não és tolinha, ou seja, sabes discernir mto bem coisas e situações e pra isso ninguém precisa de formação em Psicologia ou Áreas semelhantes, apenas, bom senso, repito.

Findou o Carnaval, e mtos usaram máscara ou talvez não, pke na essência, sempre assim foram, mas agora há que fazer algo, tentar convencer que no Carnaval ninguém leva a mal, pke o k interessa é a folia, custe o k custar, custe a quem custar, mas agora, prometem ser diferentes, pke ANO NOVO, VIDA NOVA. Não acredites nisso, aliás, já recebeste até as provas, assim, olhos nos olhos, do desafeto, da maledicência e mesmo de uma certa difamação, k é simplesmente repugnante. Age, como entenderes, pke não estou aqui pra te aconselhar, nem te sugerir o k deves fazer, aliás, tu és, como sempre disse, mto determinada, sabes o k queres e quem queres, embora não gostes de magoar, nem ser indelicada para com os outros. Estou a lembrar-me k, UMA VEZ, te sugeri no blog, que aumentasses o tamanho das imagens e mostrasses teu rosto, e tu, com mta determinação, disseste, mais ou menos isso: eu sou dona do meu blog e não tenho k fazer a vontade aos outros, portanto, nesse dia "desceste" do salto alto (rs) e eu, k estava de ténis, aceitei e respeitei tua opinião, k era o mínimo k poderia fazer, natural e obviamente. Sei k te lembras bem desse episódio, que não abalou os alicerces de uma amizade, a nossa, mas fez com k te respeitasse ainda mais, pke entendi, ainda melhor, o caris da tua personalidade, k é forte, mto forte. Usa-a, sempre k se justifique, sugiro!

Tudo o k acabo de te dizer, assumo-o, integralmente e até já o disse, ANTES, a quem escutou minha apreciação e opinião sobre a tomada de atitudes bem ruins e feias. Usei as palavras, com todas as letras, pke INGRATIDÃO é defeito, que não tolero.

Beijos, bons sonhos, empenho, continuação de bom trabalho, mtos afilhados (rs), sóis e estrelas pra sempre te guiarem.

De O Arabe a 28.02.2017 às 16:59

Assim é a saudade, Helena... nos mantém suspensos no tempo, enquanto o mesmo tempo parece não passar. Belo post, muito bom ver você de volta! Boa semana.

De Fábio a 28.02.2017 às 16:34

Quanta paz seus versos nos passam, quanta serenidade... Elegante como sempre. E solto a dizer, parece uma pintura, muito visual, táctil, detalhada. Abraços, Leninha.

De Chic'Ana a 27.02.2017 às 16:18

Por vezes é mesmo assim, a magia, o encanto das teclas, da música transportam-nos para outras paragens. Levam-nos a sonhar acordados e esquecer tudo aquilo que nos rodeia.
Por vezes é ótimo!
Um beijinho grande

De Foliana de plantão a 27.02.2017 às 16:10

Vai pular o carnaval, menina, se divertir, não tá com nada curtindo saudade, fazendo poesia, lamentando o que passou, a vida tem que se olhar pra frente, passado é passado, já passou, arrume um namorado, tem tantos homens espalhados por aí, não seja exigente, no final todos os homens são iguais, só querem uma coisa da gente e depois que conseguem entra tudo na mesma rotina, vai aproveitar a vida, vestir a roupa de mulher maravilha toda vez que chega o carnaval, não tá com nada, tem tantas outras fantasias para serem usadas...
Mas como canta a Ivetinha, comigo é na base do beijo comigo é na base do amor comigo não tem disse me disse não tem chove não molha desse jeito que sou
Entrei e já estou saindo, ahahahahahah

De Mae Maria a 27.02.2017 às 10:38

tão bom ter-se perdido nas teclas de um piano velho. Nada melhor para dissipar dores, medos e desilusões. O som do piano é fantástico, tem uma magia indescritível. Tomara eu saber dedilhar ao jeito de uma boa sonata. Parece serena e isso é tão bom. Beijinho e obrigado pelas suas palavras tão perfeitas, tão atentas, tão únicas, no meu jardim feito memórias. Passarei sempre que puder, visto que estou com um trabalho que implica eu estar a mais de mil por cento. beijinho. Isabel

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