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No apagar das estrelas...

Quarta-feira, 26.10.16

Contigo se foi aquela parte onde a poesia solfejava

estrelas num canteiro de sorrisos...

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O espaço era banhado por um fragmento de saudade que vagueava impaciente esbarrando nas paredes outrora enfeitadas com as telas que pintávamos a quatro mãos em pincéis mergulhados na alegria de existir para além das paisagens que criávamos e recriávamos num mundo todo nosso... O olhar pousou no antigo relógio que marcava uma hora perdida no tempo, como um longo pincel que desenha raízes nas sombras... Lembranças chegavam e partiam cobrindo as feridas recém-abertas e abrindo outras que vinham manchar de vermelho a escuridão que se fazia no olhar... As recordações pesavam nos passos cansados de forçada caminhada, barrando a memória que corria ansiosa pelas dobras de um passado ali tão presente, deixando que o vazio me cingisse ao peito. Nem vi a noite chegar e pendurar nos meus olhos as lágrimas novas salgadas no tempo...

Virei-me em direção à saída e uma noite fria me alcançou com tanta intensidade que por momentos fiquei sem saber onde estava...

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A escuridão me envolveu devolvendo todos os tortuosos momentos que por instantes haviam se perdido entre as frestas de uma doída saudade alojada na memória como um espinho que se enraizou para marcar um tempo que parece não passar nunca...  

Deixei a última lágrima secar ao vento e aconcheguei

a saudade entre os braços que me cingiam o corpo

embalando-a no apagar das estrelas

que me seguiam os passos...

 

 

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de helena às 16:15


16 comentários

De Marilene Duarte a 06.11.2016 às 19:25

Sua sensibilidade e seu talento resultam nesses textos maravilhosos. Conhecemos sua dor mas não podemos deixar de aplaudir a forma com a qual se manifesta sobre ela. A saudade fará parte de sua vida. De um lado, lhe trará melancolia e tristeza. De outro, a riqueza das lembranças, que ninguém lhe roubará.
Que a cada dia suas estrelas brilhem mais, até que seus caminhos sejam totalmente cobertos de luz, querida.
Grande e terno abraço.

De Fê blue bird a 02.11.2016 às 20:28

Querida Leninha:

Escrever é uma terapia, e a poesia é como as lágrimas, lava a alma.
Quem tem o dom da escrita, como a minha amiga, deve aproveitar essa bênção e desabafar escrevendo.
Este seu íntimo e sentido poema é uma catarse.

Leninha, tenho tido a sorte de me cruzar, aqui na "blogósfera" de pessoas muito especiais, como é o seu caso, que me animam, com a sua coragem e lições de vida, a continuar a caminhar, mesmo quando os meus pés estão feridos das pedras do caminho. Por tudo isso estou-lhe imensamente farta pelo muito que me tem dado, acredite!

Um beijinho com amizade e muita admiração


De O Arabe a 31.10.2016 às 20:09

Só quem já a viveu, Helena, conhece a dor e a ternura de uma infinita saudade. Mas o poeta, que tanto sente, é como a fênix: capaz de reviver das próprias cinzas, amparando-se nas boas lembranças! Boa semana, amiga; fica bem.

De CÉU a 31.10.2016 às 19:36

E fizeste tu mto bem! Papear, desabafar, pôr pra fora aquilo que nos tranca a voz e nos aperta o peito é a maneira mais correta e normal para amenizar as agruras da vida.
Sempre que sentires vontade e necessidade de o fazeres, não hesites, pke a ti só te fará bem e a quem te sabe escutar, e são muitos, ficarão mais contigo, ainda mais e mais a par de teus sentires, mesmo que negativos.

Faz o luto todo, mas todinho, sem ficar "pitada" lá guardada. O coração e o corpo agradecem. Se te apetecer chorar, gritar ou simplesmente ficar no teu canto, recordando é isso que deves fazer. Quem está próximo de ti, sabe compreender e aceitar tuas atitudes. D. Cidinha é como tua mãe, embora não biológica, portanto, ela respeita teus timings, tuas decisões, mas está sempre de "olho em ti", já pra não falar de Carolzinha, dos pais do Guy e de Leo, amigo de há mto e de alma grande.

Fizeste bem em não ir ao "Paraíso", pke, afinal, tu não és de ferro e tens um coração mto sensível e repleto de imensas lembranças. Guarda-as e gere-as, da maneira que achares mais conveniente, pke nessas coisas não há fórmulas secretas, nem mágicas, nem conselhos perfeitos, nem menos perfeitos. És tu e com o apoio dos amigos e familiares, que decidirás o k fazer e como fazer.

Qto a deixares de publicar, não estou totalmente de acordo e explico a razão: tu és mto amada por todos os blogueiros, tens uma grande sensibilidade e já conseguiste levantar, tirar alguns do fundo do "poço", só mesmo com palavras, e alguns deles nem os conheces, mas o virtual faz mais efeito que o real. Incrível, não é? Pois é, mas as pessoas se "abrem" mais com quem não conhecem, do k com quem conhecem. E porquê? Porque receiam críticas, olhos nos olhos e ficam um tanto acanhadas e intimidadas. Evidente que tu qdo te aproximas de alguém, tanto real, qto virtualmente, tu o fazes elegantemente, mas persistentemente e só quem é persistente obtém frutos e tu és daquelas pessoas, k mesmo sem te responderem, sem entrarem em contacto contigo, tu, meigamente, vais amolecendo o coração do outro ou da outra, pke não "largas pé". Persistir e insistir é mto importante, mas com suavidade e inteligência. Tu não és psicóloga, mas és médica, e portanto, te habituaste, e tb por feitio, a ouvir desabafos de pacientes e a guardar segredo deles (sigilo médico). Na vida virtual, atuas do mesmo jeito e isso é meritório.

No que se refere a te sentires verdadeiramente Helena, creio que é junção dos dois fatores, embora o facto de teres perdido tua bebé seja predominante, mas eu não entendo nada de nenés, nem quero entender - risos. O importante mesmo é k te sintas feliz e completa qdo desempenhas a função de k mais gostas. O apoio social é outro "escape", que podes ocupar em mais horas do teu dia para que te sintas, verdadeiramente tu, a Helena.

Li o teu texto e o achei de acordo como k estás sentindo. Mto bem escrito, místico, lírico e elaborado de maneira k o ler não cansa, pke tu não tens uma escrita lamecha e mesmo com a dor de uma perda, há qualidades e atributos, que não perdeste, nem vais perder. São intrínsecos, minha amiga e já vêm do berço.
As imagens k colocaste se inserem na temática do teu texto e até agradam, podes crer!

Beijos para ti e para todos vocês, carinhosamente!

De Gracita a 30.10.2016 às 13:44

Minha linda e doce amiga Helena
A saudade te abraça e te faz suspirar e destes suspiros a poesia solfeja em versos intensos e profundos abrilhantados pelo brilho das estrelas que vem o seu peito adornar
E desta saudade que é tão doida nasceu este poema tão singular e tão íntimo onde desaguou em versos o seu sentir
Querida amiga foi com imensa alegria que recebi a notícia de que estás novamente a blogar
Meu coração se rejubilou pois a vida com todas as suas asperezas e tristezas vai gotejando devagarinho gotículas de bem querer em capítulo do seu viver. E que seja assim... dias plenos de amor e menos dor
Um domingo feliz e abençoado
Beijos com carinho e um abraço apertadinho
Ah e pra alegrar teu dia um punhado de sorrisos minha doce amiga

De a 30.10.2016 às 01:46

Boa noite linda e querida Helena.

Onde que que você esteja e como esteja se sentindo, vim lhe deixar flores para perfumar a sua caminhada. Abençoado domingo. Eterna amiga e admiradora Mirtes.

De lagrimasdelua a 29.10.2016 às 20:59

Volto, Leninha, porque me esqueci de te dizer duas coisas;
Nunca penses que escreves demais no meu cantinho, não escreves! usa e abusa do espaço, do aconchego e do "ninho" que ali tens para ti. É teu para usares. E aqui entre nós que ninguém nos ouve... Adoro as tuas visitas, as tuas palavras e a forma como me lês. Tens uma alma imensa e um coração sem tamanho, és um mulher de uma doçura e de uma beleza interior enormes: já te disse que és uma MULHER em maiúsculas - e repito - és mesmo.

Depois, em relação aos sorrisos e estrelas com que povoavas o final das tuas mensagens... Sim, sinto a falta delas, mas sabes: eu sei que elas estão lá escondidas. Eu sei que elas apenas têm, de momento, uma nuvem a cobri-las, porque as estrelas que deixavas em cada um de nós, são pedacinhos de ti e isso, minha querida e doce amiga, isso não se perde, nem desaparece. Podes sentir que os perdeste, que a dor os apagou... O tempo vai mostrar-te que não é assim. Por isso, mesmo que os não escrevas, eu recebo-os, porque eles estão aí: tu não os vês ( até sei que nem os sentes) mas só a tua presença os transmite e entrega - acredita que sim.

Do meu para o teu coração um beijo pleno de carinho e paz, a reluzir de serenidade e amizade.

De Evanir S garcia a 29.10.2016 às 19:50

Hoje estou infinitamente feliz
por estar aqui na sua casinha virtual,
que Deus me presentou um dia.
Não tem como esquecer a pessoa linda,
que você é nem a amizade que nos uniu.
Deus abençoe seu final de semana.
Muita saúde e muita paz no seu viver.
Te abraço forte com todo meu carinho.
Bjs..Evanir..
PS..Na postagem estou homenageando
uma querida amiga que esta de volta.

De Jaime Portela a 29.10.2016 às 12:40

Quando a alma fala, é só deixar que as palavras saltem para o seu lugar e deem lugar a excelentes textos como este. Texto que, para além de sentido, é imensamente poético.
Excelente, minha querida amiga, nem a dor te faz ser menos boa com as palavras.
Helena, tem um bom fim de semana.
Beijo.

De a 28.10.2016 às 20:33

Boa tarde querida Helena.
Um poema que saiu do mais fundo da alma. Eu lhe admiro tanto, gosto tanto de você, não faz ideia de quantas vezes me vez voltar a realidade, uma realidade dolorida, mas ainda vida. Mas diante do seu sofrimento não sei o que lhe dizer, não sei fazer o que você faz e tantas vezes vez por mim, fico sempre me sentido lhe devendo a força que muitas vezes me deste. Não posso lhe dizer que o tempo vai curar essa dor, porque não cura, apenas anestesia. Tive muitas perdas, primeiro meu Pai que era o meu tudo, fiquei por um tempo fora do ar, depois perdi um anjinho, cheguei em casa e o encontre morto, não era meu filho, mas um sobrinho que a minha irmã tinha deixado aos cuidados da minha mãe, isso é outro, pois nesse época eu já cuidava de um filho dela, ao qual sempre tratei como o filho. Depois Deus me permitiu ser mãe, e aos tracos e barracos eu conseguir realizar meu sonho, depois perdi a minha mãe, logo depois o irmão, depois uma irma, depois outro irmão e por fim eu pedir meu coraçao. Pois ao enterrar meu sobrinho, Foi uma parte de mim foi junto, foi a pior dor que um ser humano pode sentir, por um ano o quarto dele ficou arrumado, sem tirar nem uma peça do seu Guarda- roupa, mesmo sabendo que isso não era o certo, depois por amor aos meus amorezinhos resolvi doar as coisas. E hoje tem um quarto da minha casa dos pequenos, mas uma dor não se encobre.Por isso amiga eu sei o que está sentindo, sei da sua dor, mas ela é sua, não tenha nada que possamos fazer para amenizar, e fico triste por isso. Desculpa a minha sinceridade, mas ouvir muitas coisas ao perde-lo que me calei. Meu Deus vim aqui lhe agradecer e dizer que entendo a sua dor, e terminei desabafando, me perdoei de coraçao, hoje a saudade está bem dificil, e o seu poema belíssimo. Amiga você é a pessoa mais humana que a vida colocou no caminho, na profunda dor ainda consegue da amor. Obrigada por tudo. Um final de semana de muita paz. Abraços.

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