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O pássaro e eu

Domingo, 02.04.17

E o vento passando

embaraça meus cabelos

enovela minhas vestes

e rodopia em volta de mim

como se me convidasse a bailar...

Mas como não sei dançar a música do vento

sinto os pés quedarem por um momento

como asas de um pássaro indeciso

sem saber que rumo tomar...

E assim, pairando livre, sinto-me presa num sonho que se prendeu nas asas de um pintassilgo que me olha como se senhor do meu destino ele fosse e estivesse a avaliar se mereço ou não o seu canto, se me sustém no ar mostrando o rumo a seguir ou se quebra a magia e me deixa cair ao chão. E presa neste momento de fascínio aguardo que o canto ou o silêncio de um pássaro decida meu destino.

O pintassilgo a me olhar

de olhar atento e eu,

a olhá-lo de olhar angustiado

sem conseguir definir

o que quer de mim ...

Até que num repente ele se põe a cantar e o seu festivo trinado faz desatar as teias que me sustém a pouco mais do chão. E de tramas desatadas sinto o pintassilgo me prender em suas asas de cetim, alçar voo, e me levar com ele a palmear o infinito azul...

Somos só nós dois,

eu e o pintassilgo!

O seu voo e o meu sonho

a criar asas na vastidão de mim!

 1 . Windswept (John William Waterhouse)

 

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de helena às 22:26


30 comentários

De Longe a 10.04.2017 às 00:35

Aprenda a dançar a música do vento, aprenda a voar com o pintassilgo.

De Frida a 08.04.2017 às 18:18

Queria um pintassilgo assim que me levasse a voar em sonhos... a dançar com o vento...é isso que precisamos querida... voar, para alem de nos mesmos... nos sonhos tudo é possivel...
Achei tao lindo o que escreveste... sua sensibilidade me emociona...

Beijos, doce Helena...

De Jaime Portela a 07.04.2017 às 22:35

Há pintassilgos assim, donos de nós e do mundo.
Excelente post, gostei imenso.
Bom fim de semana, amiga Helena.
Beijo.

De Fábio a 07.04.2017 às 01:20

Lindo e doce canto de identificação com a natureza com leveza e graciosidade dos pássaros. Beijos, Leninha.

De a 07.04.2017 às 01:19

Lindo e doce canto de identificação com a natureza com leveza e graciosidade dos pássaros. Beijos, Leninha.

De Suzete Brainer a 06.04.2017 às 14:48

Querida Leninha,

Abençoado este teu talento no bordado das palavras na beleza dos sonhos.
Um encantamento o sublime da tua poética, numa leveza de alma que
inscreve a sensibilidade no lirismo e profundidade a nos tocar, envolver
e transcender neste teu canto a voz da vida pulsante num olhar...
A vida pede este olhar de alma.

Que belíssima alma a tua, minha amiga.

A imagem belíssima e encantadora no nível da tua prosa poética.
Beijos.

De a 05.04.2017 às 11:31

Bom dia Helena...

Antes de tudo, venho emocionada agradecer-lhe a leitura que fez dos meus delírios...
Desde que tenho o blogue, nunca ninguém se tinha debruçado tanto sobre os meus escritos.
Em relação ao seu poema, ele tem a leveza das palavras que se escrevem no vento, tem a força do chilrear das aves e a frescura de uma manhã de primavera, onde podemos dar asas aos nossos sonhos mais profundos.
Gostei muito de conhecer o seu espaço e voltarei sempre.
Deixo um grande beijinho, terno e muito agradecido....

De CÉU a 05.04.2017 às 11:08

Tome cuidado com os pássaros, querida Leninha, pke, por vezes, eles nos pipiam sons divinais, nos fazem até dançar, sem nós, naquele momento, querermos e nos levam em seu canto. O vento, esse "marotinho" não tem regras, mesmo, e então, afaga e embaraça nossos cabelos, como se fosse mão de homem, mas só que, vento é bem mais leve, subtil e leal.

Se não sabes, por agora, que rumo tomar, então, fique em seu canto e não aceite "dançar". Afinal, estamos no Outono, estação de tons tristes, dias pequenos, frios, embora a Páscoa seja tempo de ressurreição, de ovinhos e coisas doces, mas mesmo assim ainda não estamos preparadas pra receber "novas estações", novas danças, que vão transformar, modificar todo o nosso cotidiano. Depois, e como não aceitámos dançar, conscientemente, até pke o ambiente atmosférico e o nosso, tb, não propiciaram a dança, aguardamos, quietinhas, o senhor Inverno, que "lava" as "mentes das árvores", que se afirma totalmente e nos esclarece até. Nós, "pobres avezinhas", temos k deixar passar aquele tempo ruim, embora precisemos de calor, interior e exterior, mas só nosso lar nos dá tudo isso. Depois, chega o Natal, tempo de família e amigos, de aproximação do renascer da vida, e então aí, sim ou talvez sim, pensemos em novas danças, mas o par é fundamental, pke "isso" de ter par por ter, não dá, quer dizer, não acertamos o passo, nem de imediato, nem nunca e se a dança parecer perfeita, aos olhos dos outros, então só um faz "toda a coreografia" e o outro observa, consente e na dança não se consente, nos damos.

Te sentes presa por um sonho e isso até que é bom, pke demonstra que foste e és sincera e prudente com teu passado, presente e até futuro. Querida, o "pintassilgo" já definiu, já sabe mto bem o k quer de ti e tu tb já entendeste o que ele, abertamente, te "canta", só que para que uma "canção" saia bonita, a letra tem de condizer com a música, caso não, mais tarde ou mais cedo há desafinação, sentida por uma das partes. Bom, então, é melhor, por agora, não partires nesse voo, embora tu sintas até já vontade de "voar", mas, cuidado, pke situações adversativas nunca são aconselháveis.

Te sugiro e até aconselho a que ouças o "canto" de outros pássaros, que existem por aí, em todo o lugar e depois de estabeleceres termos de comparação, tu decidirás, tu serás senhora do teu destino, criando as tais asas, que tu pensavas que tinham se quebrado, mas não, o tempo as fez renascer e na vastidão dos céus e na tua, tu vais encontrar o melhor rumo, o rumo certo, tenho certeza e faço votos pra isso.

Beijos, minha linda avezinha, um abracinho bem sincero e não voe alto, nem mto alto, pke o "tombo" será, inevitavelmente, MAIOR.

Flores multicolores, punhados de sorrisos e na nossa cestinha cor-de-rosa, mando um mundo de olhares, para te ajudarem a refletir e depois, decidir.

De lagrimas de luar a 05.04.2017 às 09:08

Minha querida menina de cabelos ao vento, presa nas asas de um simples e misterioso pintassilgo. Como é forte e bela a mão do Pai! Que tem o amor e a delicadeza de trazer, a um coração que ainda sofre, a beleza e doçura de um canto:de um trinado cristalino, desafiador e meigo, que te pega pela mão - pela alma - e te faz voar em direcção ao infinito; A esse infinito onde um olhar te guia, te guarda e te acalenta.
Voa, minha doce Leninha! Voa: sem medos, sem entraves e sem remorsos. A vida é isso mesmo; Um canto de pássaro. Um voo de alma. Um sorriso de coração e a eterna esperança que te põe estrelas nos olhos e uma aragem mansa nos cabelos.
Abençoado pintassilgo que te pegou ao colo e fez, de novo, voar.
Tão doce quanto nostálgico este poema.De uma pureza e leveza tão grandes quanto o tamanho e beleza da tua alma, minha querida estrela da manhã.
Deixo-te um rasto de beijos, com a doçura do mel e a ternura de um canto de avezinha, que envio do meu coração para o teu.

De Toninho a 05.04.2017 às 00:49

Olá Helena!
Que lindo momento neste voejar nas asas de um Pintassilgo com seu canto mavioso.
Gosto destas inspirações que se aninham em cantos de passarinhos.

Que esteja bem desejo Helena.
Meu terno abraço
Bjs amiga querida.

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